
Assim contam os mais idosos – atraídos pela beleza e fartura destas terras – começaram a chegar seus primeiros habitantes: os índios Buxixés – Cariris (Kiriris – Sabutas), que se instalaram às margens do Rio Cariús, que nasce em Santana do Cariri, município situado ao sopé ocidental da Chapada do Araripe e deságua no Rio Jaguaribe.
A ocupação tardia do Ceará, dialeticamente, era a existência/ resistência de outro modo de vida (indígena), que tinha sua relação com a terra, com a natureza e entre eles mesmo bem diferente daquilo que seria trazido com a pecuária e a agricultura de subsistência para o mercado. Isto é, a propriedade privada, a divisão do trabalho entre proprietários e trabalhadores, a circulação do dinheiro, a apropriação desigual do produto do trabalho coletivo, a evangelização cristã da “alma”, a ordem do falar somente em português e a maneira de passar a enxergar a natureza como recurso.
Devido à boa qualidade dos pastos, logo o ponto de apoio se transformou em fazenda. No lugar da tapera foi construída uma casa grande, uma capela e um cemitério. Em volta surgiram as primeiras casas dos moradores e o lugar aos poucos foi se transformando em povoado, o Povoado de Tapera.
Registrou que a edificação onde os tangedores de gado que percorriam a Estrada das Boiadas se abrigavam tinha:
“paredes de taipa e varas, com duas paredes entrecruzadas e sem paredes laterais.”
O lugar antes ocupado por essa
cabana que veio servir de inspiração para o nome da localidade, o caso, Tapera, se estabeleceu com uma fazenda.
Da casa de fazenda formou-se o Povoado de Tapera, que vivia em função da casa. Mais tarde o vilarejo passou a fazer parte do município de Assaré, e em 1838, com o desmembramento das terras, passou a vila do município de Santanópole, hoje, Santana do Cariri.
Encontro entre colonizadores e Kariri-Kariús onde o município de Nova Olinda está situado se inscreve no contexto de distribuição de sesmarias na Capitania do Ceará para a pecuária.
A ocupação colonial da “capitania do Ceará havia se consolidado.
As terras outrora ocupadas pelos povos nativos se transformaram com a pecuária.”
‘Não somos todos índios, nós, os cearenses. É bem verdade que em grande parte de nossas histórias familiares há relatos recalcados de parentescos remotos com índios, via de regra atribuídos a gerações pregressas, das quais fazemos questão de nos pensar distantes…E isso não nos torna índios. Índios são aqueles que, apesar do imaginário social desabonador construído sobre estas populações, alimentam um outro sentimento e uma outra atitude diante de sua ancestralidade e faz dela, no mundo hodierno, objeto de autoestima, dignidade e afirmação étnica. […] Índios são os que gritam com orgulho, para aqueles que não querem ouvir, eu sou Anacé, Gavião, Jenipapo-Kanindé, Kalabaça, Kanindé, Kariri, Pitiguary, Potyguara, Tabajara, Tapeba, Tremembé, Tupinambá, Tubiba-Tapuia.
Roseane Limaverde