
Museu Casa Oficina Mestra Dinha
O barulho da madeira do tear conduz cada pequeno gesto de Dona Dinha que ainda tem forças nas pernas e nos braços para puxar o pente. Do bairro Vila Alta em Nova Olinda, o tempo de Dinha passa na parte de cima da porta, primeiro pela vista, depois pelos pés. Uma rede por semana, um ponto por dia e assim por diante.
Católica, Raimunda Ana da Silva, mais conhecida como Dona Dinha, possui uma imagem de São Jorge pendurada no alto da porta de entrada da sua casa que, recentemente, entrou em reforma com a proposta de instalação do Museu Orgânico. Aos 68 anos, as mãos de Mestra apresentam as marcas de dois caminhos, da roça e do artesanato. Foi observando a irmã mais velha fiar e tear redes que Mestra Dinha começou a aprender sobre o manuseio de tecidos. Ela tinha 12 anos quando fez a primeira rede e, para ela, o aprendizado era um suspiro para além da rotina de trabalho.
Nascida em mês de dezembro e criada na cidade de Nova Olinda, Dinha explica que não sabe ao certo com quem a irmã aprendeu, apenas quis fazer como ela. “Eu aprendi vendo as outras pessoas fazendo, fiquei observando de longe, ela tava fazendo e eu só vendo, daí fui fazer no outro dia sozinha”, conta. Dos nove irmãos, apenas as mulheres se interessaram pelas redes. O processo de produção exige de cada artesã um trabalho específico, por exemplo, Dinha faz a tanga da rede, o fundo, e as suas irmãs e sobrinhas finalizam o trabalho com as tranças.
Endereço: Bairro Vila Alta (Rua São Francisco, nº 9) Nova Olinda – CE