Nova Olinda integra a maior exposição do Centro Cultural do Cariri.

Nova Olinda ocupa lugar de destaque na exposição “Cariri: Corpo, Terra e Cultura”, aberta ao público no Centro Cultural do Cariri Sérvulo Esmeraldo, no Crato. A mostra reúne mais de 170 artistas e aproximadamente 2.300 obras, entre fotografias, esculturas, bordados, xilogravuras, ilustrações e outros suportes que ajudam a narrar a força simbólica, material e afetiva do território caririense.
Realizada pelo Governo do Ceará, por meio da Secretaria da Cultura do Estado, do Centro Cultural do Cariri e do Instituto Mirante de Cultura e Arte, a exposição se organiza em três núcleos curatoriais: Anunciação, Encandear e Abrir com Mãos Afiadas o Caminho. A proposta apresenta o Cariri como território sociobiodiverso, atravessado por memórias, ofícios, espiritualidades, imagens, paisagens e modos de criação que seguem reinventando a cultura da região.
Neste grande encontro entre corpo, terra e cultura, Nova Olinda se faz protagonista com a força de seus artistas, mestres e mestras. Participam da exposição os nova-olindenses Samuel Macedo, Samara Macedo, Hélio Filho, Aécio Diniz, Filipe Alves, Mestre Espedito Seleiro e Mestra Dona Dinha, nomes que expressam diferentes gerações, linguagens e caminhos da criação artística no município.
A presença desses artistas posicionam a cidade como território criativo profundamente organizadamente pela arte, pelo trabalho manual, pela memória popular e pela invenção do seu povo, de formação estética, onde a cultura nasce do chão, das mãos, das casas, das oficinas, dos terreiros, das paisagens e das histórias contadas de geração em geração.
Samuel Macedo, Samara Macedo, Hélio Filho, Aécio Diniz e Filipe Alves representam a vitalidade de uma cena criativa que observa o Cariri com olhar contemporâneo, sem romper com as raízes que sustentam sua identidade. São artistas que elaboram, por meio de suas linguagens, novas formas de perceber a o chão sagrado do cariri.
Ao lado deles, Mestre Espedito Seleiro leva para a exposição a grandeza da arte em couro, linguagem que transformou o ofício sertanejo em expressão estética reconhecida no Brasil e no mundo. Mestra Dona Dinha também integra esse percurso como referência de saber, delicadeza e resistência. Em suas mãos, o tear se torna instrumento de fabulação, arte do cuidado e patrimônio intangível de uma comunidade que reconhece nos fios a força de sua própria história.
Outro destaque da presença nova-olindense na exposição está nas imagens das pedreiras de mineração da Pedra Cariri em Nova Olinda. As fotografias revelam a dimensão mineral do território, onde a pedra, o trabalho e a paisagem compõem uma memória profunda da cidade. A Pedra Cariri aparece como matéria geológica, econômica, cultural e simbólica, testemunha silenciosa do tempo e da relação entre o povo nova-olindense e a terra que o sustenta.

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